COLUNA VOZES

VOZ - ALUNO

Quando fiquei sabendo que vinte e três toneladas de alimentos são jogadas ao lixo, o que seria suficiente para matar a fome de 35.000.000 de pessoas, não pude ficar quieta. Ou pelo menos, estou tentando fazer minha parte. Samaris Vaz.

  

Lados Opostos

 

Edgard saíra mais uma vez para ver se encontrava alimentos no lixão. Estava com fome e sabia que as crianças também a sentiam com a mesma intensidade. Era um pobre homem, a quem o Destino impusera ser lavador de carros e catador de lixo. Não teria Juliana e César se Marina tivesse condições de comprar o anticoncepcional.

Naquele dia, sentia uma intensa dor... É claro que tinha Depressão. Entretanto, não tinha tempo para chorar seu desânimo interior. Sua vida era deveras cruel.

Do outro lado da rua, escutou “Edgard, coisa fofa da minha vida, agora iremos almoçar”. Era uma madame com seu poodle entre os braços, que acabara de sair de sua sessão de acupuntura. Colocara o cachorrinho dentro do carro e jogou o pacote de bolachas velhas dentro do lixo, afinal, vinte e três toneladas de alimentos jogados fora ao dia não são quase nada se não matassem a fome de trinta e cinco milhões de pessoas.

Naquele instante, Edgard, o humano, sentiu algo arder dentro do seu peito, além de saber que teria o que comer agora, teve um desejo veemente, sentiu o coração acelerar quando  pensou: eu quero ser um cachorro... Sim! Alimentar-se-ia com as melhores comidas, tomaria banho toda semana, ficaria perfumado, ganharia carinho e colo e ainda teria sessões de acupuntura e psicoterapia quando ficasse estressado. Teria festas de aniversário a cada ano. Além de tudo, saberia que mesmo que sua dona gastasse mais de três mil reais ao mês por ele, poderia deixar marcas de seus dentes em seus braços. Preferia sim ser irracional se tivesse comida, ao menos.

Que vida maravilhosa... Teria filé Mignone como petiscos, e não restos de comida para completar o vazio do estômago. Seria muito melhor que aquela vida de cão que levava... De cão? Quanta coincidência... E os dois se chamavam Edgard. E a única diferença entre eles era que um nascera pra ser cão e o outro, gente...

Edgard, o humano, estava ajoelhado no lixão, esperando que a madame saísse para devorar sua caça que estava no lixo e Edgard, o cão, saíra do carro, fora ao lixo, cheirara o pacote de bolachas jogado por sua dona, fizera cara de nojo e urinara ali...

“Cão, filho da puta!” – gritou dentro de si.

E o cão quis defecar também e espremeu as fezes, olhando para o humano... E os dois se entreolhavam, de lados opostos...

Samaris Vaz

 

ESPELHO - PARTE 1

NOSSAS ATIVIDADES NO 1º. SEMESTRE DE 2009.

             

 

 

No 1º. Primeiro semestre de 2009 o Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia, CA – ÁGORA, com seus alunos, professores e apoio da Universidade Unicastelo promoveu cultura e lazer para todos (alunos e as comunidades). Então, num brevíssimo balanço podemos enumerá-las como: Teatro, Cinema, Palestras, Ação de Cidadania, Lançamentos de Livros, Semana Acadêmica, Cafés Filosóficos, Encontros, Confraternizações, Churrascos, Esportes, etc. E nesse 2º. Semestre de 2009 continuará intensamente com a força de seus alunos a manifestar, produzir a cultura, a alegria e a cidadania.

 

                                                                    

 

 

 

 

 

 

 
 

SEMANA

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SEMANA FILOSÓFICA - UNICASTELO

A UNICASTELO, em 26/MAIO (3a.feira), 28/MAIO (5a.feira) e  30/MAIO (sábado), dás 08:30 às 12 horas, no CÉU - Azul da Cor do Mar, realizará a III SEMANA FILOSÓFICA, com a temática “O movimento fenomenológico na filosofia contemporânea”,  com as presenças de:

- Em 26 de maio: Prof. Drndo. Pedro Monticelli - Título da conferência: A recepção do conceito medieval de existência intencional em Franz Brentano;

- Em 28 de maio: Prof. Drndo. Jonas Moreira Madureira - Título da conferência: O conceito de fenomenologia em Edmund Husserl; e

- Em 30 de maio: Prof. Dr. André Constantino Yazbék - Título da conferência: Fenomenologia e ontologia em Jean-Paul Sartre

 

Coordenador do curso de Filosofia: Carlos Betlinsk

- E-mail: betlinsk@terra.com.br

Professores - Organizadores:

Jean Siqueira - E-mail: jeansiq@hotmail.com

Ismail Reis - Email:      ismailreis@terra.com.br

Blog da Semana de Filosofia:

http://semanafilosofiaunicastelo.blogspot.com

 

CÉU - AZUL DA COR DO MAR

E-mail:    smeceuazuldacordomar@prefeitura.sp.gov.br

Endereço: Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2.171

Bairro: Cidade AE Carvalho  - CEP: 08225-380 - Fones: (11) 2042-2843 / 2042-3000

 

 

CINEMA

Projeto: "A ESCOLA REFLETE NO CINEMA"  

                                                                                                                           

Em 30/MAIO, às 14 horas, sala 112 na Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO,  o projeto "A Escola Reflete no Cinema", realizará a exibição de um filme e palestra "A Semiótica no Cinema: Cultura e Imortalidade", palestrante professor, mestre e doutor Gerson Tenório dos Santos e convidados.

A sessão é gratuita, aberta ao público, e aos alunos, sendo a organização do Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia - CA ÁGORA. 

E-mail: Coodenador do curso de Letras - Prof. Gerson Tenóriogersontds@gmail.com 

 

 

 

 

 
 

DICA DE CULTURA

http://Rua Carolina Fonseca, 548

LANÇAMENTO:

DIA: 30 DE MAIO - 13:00 H - SALA 312

LIVRO

Será lançado em 30 de maio de 2009, às 13 h, na sala 312, na Unicastelo, o livro com o título de "POLIFONIA LITERÁRIA: PERSPECTIVAS",   prof. Dr. Gerson Tenório, e que também contempla outros autores dentre eles o Prof. Dr. Mauro Araujo de Sousa. Prestígie.

 

PALESTRA

No último dia 23 de maio de 2009, às 10 horas, na sala 112, da Unicastelo realizou-se a palestra EDUCOM com o palestrante CARLOS LIMA , Coordenador do Programa Nas Ondas do Rádio (EDUCOM) da Secretária da Educação de São Paulo, com o seguinte programa:

- Conceito de Educomunicação;

- Implementação de projetos midiático no "Espaço Escolar" (Rádio Escolar, Blog, Podcast, Vídeo, Jornal Mural), e

- Como produzir programa de rádio usando o computador.

A procura e presença dos alunos e do público foi ampla, portanto, agendaremos uma nova palestra para o 2o. semestre.

E-mail para contato - Carlos Lima: carloslima@prefeitura.sp.gov.br

 

 LIVRO

LEITOR:

 

Daniela Oliveira, Odontologia, respondeu: Agora estou lendo "Quem mexeu no meu queijo", Johnson Spencer - Trata-se de motivação, o autor leva o leitor até seu subconsciente para se auto avaliar, portanto, nos mostra como ter uma vida saudável em todos os aspectos da vida. Comenta - Leiam, pois é muito legal.

 

 

 

 

 
 

Blog - SEMANA FILOSÓFICA - UNICASTELO

http://semanafilosofiaunicastelo.blogspot.com

Faça sua Inscrição e Participe da Semana de Filosofia

 
 

PALESTRA

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Data: 16/05/2009 - Hora: 10:00

Local: SÃO PAULO

"A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL"

Em 16/MAIO, sábado, dás 10 às 12 h, na sala 112, da Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, haverá palestra e discussão do tema " Crise Econômica Mundial: As Influências no Brasil", contará como os palestrantes os doutores Gabriel Carvalho de Sampaio e Fátima Sandalhel, advogados e coordenadores da Assembleía Popular - SP, Sindicato dos Advogados. E esclarecemos que o evento é gratuito, aberto ao público e a todos os alunos. A organização é do Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia, para maiores informações contate José Fabio, filosofia, sala 312.

 

 

Assembleía Popular - SP, Sindicato dos Advogados

 

E-mail: plebiscitoalcasp@yahoo.com.br

Fone: 011-3105-2516

 

 ENCONTRO

Pós-Graduandos em Filosofia - PUC-SP

 

O Encontro será realizado de 01 a 05 de junho de 2009 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, os Encontros de Pós-Graduandos em Filosofia, organizados desde 2004 por grupos de alunos de pós-graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Filosofia desta mesma instituição, dão aos alunos de pós-graduação em Filosofia de todas as universidades do país a oportunidade de apresentar e defender publicamente trabalhos preparados para suas dissertações e teses, para publicações e/ou para apresentação em congressos. Além de serem academicamente valiosos, os Encontros também fornecem aos pós-graduandos a oportunidade de interagir com outros alunos e professores. Maiores informações contate-os.

Blog: http://encontroposfilosofia.blogspot.com/

 

 

DICA CULTURAL

Local: SÃO PAULO

 

SEMANA FILOSÓFICA 

A Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, realizará a III SEMANA FILOSÓFICA UNICASTELO, em 26/MAIO (3a.feira), 28/MAIO (5a.feira) e  30/MAIO (sábado), dás 08:30 às 12 horas, no Céu - Azul da Cor do Mar. Maiores informações e inscrições no curso de Filosofia, contate o professor coordenador Carlos, e os organizadores os professores Jean e Ismail.

 

Organizadores

E-mail: Prof. Ismail - ismailreis@terra.com.br

BLOG: http://semanafilosofiaunicastelo.blogspot.com

 

CÉU - AZUL DA COR DO MAR 

Email: smeceuazuldacordomar@prefeitura.sp.gov.br

Endereço: Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2.171

Bairro: Cidade AE Carvalho

CEP: 08225-380

Fones: (11) 2042-2843 / 2042-3000

 

UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO -  UNICASTELO 

Site:  www.unicastelo.com.br

Endereço: Rua Carolina Fonseca, 415

Bairro: Itaquera

CEP: 082300-030

Fone: 0800-17 00 99

CINEMA -

"A ESCOLA REFLETE NO CINEMA"

No último sábado do mês 30/MAIO, às 14 horas, sala 112 na Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO,  o projeto "A Escola Reflete no Cinema", realizará a exibição de um filme/documentário e na sequência haverá a palestra com o professor, mestre e doutor Gerson Tenório dos Santos e convidados, a sessão é gratuita, aberta ao público, e aos alunos, sendo a organização do Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia - CA ÁGORA, e para maiores informações contate-os.  

LIVRO

LEITOR:

Isabel Ramos, Direito, respondeu: Um dos livros que estou lendo é "Violência contra a mulher: Quem mete a colher?" Marlise Vinegre Silva - A autora aborda a luta pela igualdade social entre homens e mulheres situa-se no miolo da busca pela democracia. Recomenda.

 

 

COLUNA VOZES

VOZ DO ALUNO

A cadeira

 

É praticamente impossível que numa casa não haja uma só cadeira. Este é um dos objetos de maior utilidade para satisfação de grande parte das necessidades das pessoas de uma casa. Usam-na para as refeições, bate papo, descanso, apoio, assistir TV e até como se fosse escada. Sua finalidade é específica, mas o seu uso é plural e múltiplo. 

Mas, de onde vem a cadeira? Por quê sua utilidade são as referências das convenções sociais? Por quê a cadeira não é uma mesa, ou cama, ou quem sabe, uma estante? Do ponto de vista aristotélico, a conclusão do que é uma cadeira, de onde vem e sua funcionalidade podem ser muito bem definidas considerando as causas primária, material, eficiente e final. Ao submetermos a cadeira ao julgamento das quatro causas elaboradas por Aristóteles, inevitavelmente, chegaremos à essência e funcionalidade da cadeira. 

Para Parmênides, entretanto, a cadeira poderia ser mera ilusão dos sentidos. Isto é, ela só o é porque nossos sentidos assim o querem. Da mesma forma ela poderia ser ou se prestar a qualquer finalidade que nossos sentidos determinarem, sem que, necessariamente, seja o objeto entendido pelo senso comum, nem tão pouco ser o novo paradigma estipulado pelos sentidos. 

Todavia, seja qual for o sistema de pensamento filosófico a partir do qual reflitamos sobre a cadeira, há de prevalecer a verdade de que, historicamente, seu conceito e finalidade já foram estabelecidos universalmente no tempo e no espaço, e toda tentativa de relativização será também relativa diante do fato de que cadeira é cadeira.

  Autor -  André Lima, Filosofia. 

 

DICA CULTURAL

http://

Local: SÃO PAULO

 

SEMANA FILOSÓFICA 

A Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, realizará a III SEMANA FILOSÓFICA UNICASTELO, em 26/MAIO (3a.feira), 28/MAIO (5a.feira) e  30/MAIO (sábado), dás 08:30 às 12 horas, no Céu - Azul da Cor do Mar. Maiores informações e inscrições no curso de Filosofia, contate o professor coordenador Carlos, e os organizadores os professores Jean e Ismail.

 

CÉU - AZUL DA COR DO MAR 

Email: smeceuazuldacordomar@prefeitura.sp.gov.br

Endereço: Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2.171

Bairro: Cidade AE Carvalho

CEP: 08225-380

Fones: (11) 2042-2843 / 2042-3000

 

UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO -  UNICASTELO 

Site:  www.unicastelo.com.br

Endereço: Rua Carolina Fonseca, 415

Bairro: Itaquera

CEP: 082300-030

Fone: 0800-17 00 99

 

LIVRO:

 

- "MÃES, MÉDICOS E CHARLATÃES", Sandra Regina Colucci.

Trilhando caminhos a princípio não previstos ou pensados, a autora do livro Mães, Médicos e Charlatães busca compreender os sentidos da responsabilidade da mulher na maternagem dos filhos.
A política sanitarista implementada pela Reforma Paula Souza, em 1925, e as tensões geradas pela complexidade dos sentidos do que seria saúde e "charlatanismo" teriam inserido as mulheres numa ordem social que, estabelecendo culpas frente à responsabilidade imposta pela criação dos filhos, tornar-se-ia componente da socialização da mulher. "...as estatisticas de mortes, por afecções do aparelho digestivo, ignoram que essa rubrica é em grande parte preenchida pela mortalidade infantil, devida maximamente á ignorancia das mães." Grupo Editorial Scortecci, 2008.

A autora, Sandra Regina Colucci , Cursou Economia na Universidade Mackenzie. Pós-graduada em Atividade Pesquisa em Serviço Social Aplicado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (CNPq.), é Bacharel em História e Mestre em História Social (CAPES) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Participa do Núcleo de Estudos da Mulher e do Núcleo de Estudos de História Social na cidade da PUC-SP e atua em pesquisas e projetos sobre questões de Gênero, environment, História e Memória. Atualmente é professora do Programa de pós-Graduação lato-sensu em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Departamento de História da Universidade Camilo Castelo Branco.

 

- "LITERATURA E CULTURA: INTERFACES",  Organizadores Gerson Gonçalves da  Silva e Telma Vieira.

O livro "LITERATURA E CULTURA: INTERFACES", apresenta uma série de estudos sobre a literatura, as obras literárias em destaque ilustramo o interesse investigativo de cada um dos autores, por isso não correspodem a qualquer ordem diacrônico-sincrônica que desfilam lado a lado prosadores e poetas da literatura brasileira lido à luz de teorias diversas. Por exemplo, os conceitos de dialogismo e polifania, segundo Mikhail  Bakhtin, sustenta a leitura de Carlos Drummond de Andrade; a tipologia de associações argumentativas, estabelecidas por Chaim Perelman, apoía a literatura de Machado de Assis; a análise do Discurso francesa envoca o discurso de Padre Vieira e heróis gregos. Também a filosofia serve como suporte de leitura: os conceitos de Moral e Ética, segundo Maquiavel, Thomas Hobbes e John Locke são utilizados para analisar o prosador Lima Barreto, enquanto a Fenomenologia moderna de Hursserl, o poeta Manuel Bandeira. Aspectos da cultura brasileira também são contemplados: a figura do índio nas narrativas de José de Alencar e Guimarães Rosa; o papel da memória no processo  criativo de poetas brasileiro. O livro é resultado de parceria entre orientadores e orientandos, flagrados no exercício da livre reflexão crítica. Ao transmitir profundo conhecimento sobre as obras abordadas, os autores levam os leitores a um gratificante passeio encantado mundo da literatura.

Os Autores: Gerson Gonçalves da Silva, mestre e doutor em Literatura pela USP, docente da Unicastelo, UBC e FAG; Cristiane Serafim dos Santos, pós-graduada em Literatura pela Unicastelo; Gerson Tenório dos Santos, mestre e doutor em Comunicação e Semiotica pela PUC, coordenador do curso de Letras da Unicastelo;  João Hilton Sayeg Siqueira, mestre e doutor pela PUC/RS; Sandra Chaves Romão Melo, formada em Letras, Licenciatura, Comunicação Social, e Habilitada em Rádio e TV pela USTJ/SP; Julio Neves Pereira, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela USP, Poliana Calado Pantaleão, discente do curso de Letras, Unicastelo; Paulo Cesar Lopes, mestre e doutror em Licenciatura pela USP, Irene Leonel, pós-graduada em Letra pela Unicastelo; Sonia Regina Martins Gonçalves, mestra em Teoria Literária e Comparada pela USP, docente da Universidade Braz Cubas/SP, Luciara Carla Gonçalves, formada em Letras pela Universidade Braz Cubas/SP; Telma Maria Vieira, mestra e doutora em Comunicação e Semiótica - Literatura, PUC/SP, docente da Unicastelo, Gilson Pereira de Menezes, pós-graduado Literatura pela USP, docente da Faculdade de Integração Zona Oeste/SP.

 

 

O LEITOR -

Dica Cultural - pergunta: "O que você está lendo no momento?"

Melquis Nunez, Letras, respondeu: "Estou lendo o livro "Pigmaleão", Bernard Shaw. E Comenta - O autor é inglês, o livro é cômico e critica a sociedade vitoriana (final do séc. XIX) na Inglaterra, é carregado de "erros" da língua inglesa e ao mesmo tempo utiliza a norma culta. Recomenda

 

Leandro Farias, Filosofia, respondeu: "No momento estou lendo o livro "Ortodoxia", G.K. Chesterton - O autor usando do paradoxo e do que apresenta como fraqueza do pensamento cristão se vale do humor e enfrenta o materialismo e todos que optam por explicar o mundo sem levar em consideração Deus. É uma das primeiras criticas a Nietzsche. Recomenda.  

 

TEATRO:

 

- "PRIMEIRAS ROSAS"

A peça que é inspirada no livro de Guimarães Rosa, Primeiras Estórias. Com dramaturgia de Beto Andretta, fundador da Cia. Pia Fraus, a montagem parte de quatro contos do livro: As Margens da Alegria, A Terceira Margem do Rio (foto), O Cavalo Que Bebia Cerveja e Sequência.

Local:Teatro Popular do Sesi

Preço(s):Grátis (quinta e sexta) e R$ 10,00 (sábado e domingo).
Data(s):16 de abril a 05 de julho de 2009.
Horário(s):Quinta a sábado, 20h; domingo, 19h 

Informações: http://www.sesisp.org.br

 

 

DVD:

 

FILME - DOCUMENTÁRIO  - 'JANELA DA ALMA'

O documentário "JANELA DA ALMA", 200, Brasil - Nos apresenta dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam comno se veêm os outros e como percebem o mundo. O escritor Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineata Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgne Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiollógico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade se é que ela é a mesma para todos. (direção - João Jardim e Walter Carvalho) - Participação - Prof. Paulo Cesar Lopes(Letras).

 

 

CAFÉ FILOSÓFICO: TEOLÓGICO

 O dvd do último "Café Filosófico - Teológico", realizado pelo curso de Filosofia, já se encontra à venda, indicamos aos interessados que procure o responsável de mídia, Willian, Filosofia, sala 210. 

 

FILME:

 

- "ENTRE OS MUROS DA ESCOLA"

O filme é baseado no livro de François Bégaudeau, que interpreta a si mesmo, um professor de francês em uma problemática escola na periferia de Paris. "Entre les Murs", do cineasta Laurent Cantet, recebeu o prêmio Lumière de melhor filme; o longa representa a França no Oscar.

 

 

SITE e BLOG:

- CURSO DE HISTORIA:

 http://www.cahistoria2009unicastelo.blogspot.com/

 

EDUCAÇÃO/ARTE

 http://lucia-artes.blogspot.com/2009/02/novas-producoes-2009.html

 

- FORUM ZONA LESTE

 www.forumzonaleste.com.br

 

SEMANA FILOSÓFICA 

A Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, realizará a III SEMANA FILOSÓFICA UNICASTELO, em 28 a 30/MAIO, de 5a. feira à sábado, dás 08:30 às 12 horas, no Céu Azul da Cor do Mar, em Itaquera, São Paulo. Maiores informações contate os organizadores os professores Jean e Ismail.

 

 

 

 

 

COLUNA VOZES

 

 

VOZ ESPECIAL

Terceiro Artigo (último)

AS BASES DETALHADAS DA FILOSOFIA AGOSTINIANA EM CONFISSÕES:

Mauro Araujo de Sousa

 

     

 

 

  Em torno de que move-se a filosofia agostiniana? “Deum et animam scire cupio”, traduz-se: é de Deus e da alma que ela trata. No fundo, sua filosofia é uma busca da compreensão das paixões humanas e seu relacionamento com Deus. Esse Deus é a luz que traz ao homem a sabedoria, o acesso à verdade. A teoria do conhecimento de Agostinho é baseada na revelação divina e a razão e sentidos humanos são o meio de sua manifestação. E a sede de amor que acompanhou o bispo de Hipona foi suprida pelo amor a Deus. O platonismo acaba convertido em cristianismo e surge, de modo forte, a filosofia cristã2. Para isso, suas ferramentas foram o estudo dos clássicos e a fé. Agostinho realiza uma filosofia da Graça, justificada pelo seu próprio objeto. Ele indica o cristianismo como uma filosofia e, assim, sustenta sua Igreja. E também o Santo em destaque é esse misto de filosofia e poesia, que não deixa nem a razão e nem a fé perecerem. Contudo, é bom lembrar que um certo ascetismo se faz presente nele, sendo por essa via, a da ascese, que ele dá novo enfoque ao seu metabolismo passional. Na filosofia agostiniana, se encontra a adoção de um gênero ascético, em que tudo é filtrado pela fé cristã. Os sentidos continuam fortes, mas agora agem em nome de uma purificação. A paixão de outrora se transforma em paixão exclusiva pelo Transcendente. É a filosofia religiosa do filho de Mônica, após a conversão. Mesmo com essa mudança de foco, uma coisa é certa, a de que o ser humano não vive sem paixão e eis o outro viés de seu modo de operar com a filosofia. Mas, há aqueles que analisam que mais que converter-se ao Evangelho, Agostinho converteu-se mesmo ao neoplatonismo para superar sua crença maniqueísta através da teoria do Uno de Plotino, com uma mistura de misticismo e platonismo. Visto, no entanto, de outro viés, o neoplatonismo acaba endossando o cristianismo e não atacando os cristãos e os gnósticos como pretendia Plotino. Parece, portanto, que é o Santo que faz a conversão de tal filosofia e não o contrário, conseguindo sustentar o monoteísmo e a idéia da Trindade sem entrar em contradição. Deus é Espírito, sua emanação, e o Filho, sua encarnação. Deus é Uno e Trino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a Trindade Divina, que sendo três pessoas, são um só Deus, porque o princípio e fim são o mesmo e há a eternidade. Entra-se naquilo que se faz interpretação hegemônica, ou seja, a filosofia agostiniana é um misto de cristianismo, platonismo e neoplatonismo, com ênfase ao primeiro, daí ser sua a expressão “filosofia cristã”.

      Sobre a conversão de Agostinho, em específico, teria sido um ato súbito ou fruto de uma evolução lenta e progressiva, vindo esta última teoria baseada desde os esforços de sua mãe em vê-lo nas fileiras do cristianismo? Se valer a primeira hipótese, a cena no jardim de Milão, quando ele ouviu o chamado especial ao ler as palavras do apóstolo Paulo, se justifica. Valendo a segunda hipótese, tal cena fica um tanto sem sentido, parecendo mais uma montagem. Seja como for, o que conta é a decisão do filho de Mônica no ingresso ao cristianismo com dedicação exclusiva de sua vida. É esse ato que emerge como marco capital de sua conversão. Mas, em geral, há um consenso sobre a sinceridade do Santo na sua obra Confissões, que revela sua intimidade. Na realidade, há que se considerar que todo um conjunto colaborou para o modo de Agostinho expor suas idéias, mesmo a respeito de si mesmo e sua conversão. Ele entrou em contato com a sabedoria helênica e o neoplatonismo lhe fincou raízes no espírito e, de outra parte, a sabedoria judaica-cristã e seu conteúdo religioso expresso no Evangelho também penetrou profundamente em sua alma. O bispo de Hipona carregava dentro de si uma síntese entre filosofia e teologia, sendo seus escritos prova disso. Logicamente, em sua condição de membro do clero, a versão teológica se sobrepunha, não apagando, porém, suas outras influências, mesmo que filtradas. Até mesmo aquela que recebera do maniqueísmo, pois apesar de suas teses se esforçarem em justificar somente a existência do bem, pois o “mal” seria distanciar-se desse bem, essa dualidade sempre perturbou-lhe a ponto de querer encontrar uma explicação decisiva para assentar-se tanto filosoficamente como teologicamente. Terminou por optar pela inexistência do mal, isto é, o mal como não-ser, porque só o bem é, existe. Contudo, isso seria uma fachada teórica, afinal o Doutor da Igreja tinha como tarefa esclarecer os princípios do catolicismo contra o maniqueísmo. Qual a saída dessa perturbação que o perseguia? A formação da teoria da graça divina e foi a ela que ligou sua experiência de conversão, defendendo Deus do mal através também da doutrina do livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, exaltando a superioridade do Sagrado. A conclusão é que a graça é mais poderosa que o livre-arbítrio, pois mais do que a própria escolha humana, é Deus quem escolhe o ser humano e cria-se, portanto, um mistério que envolve a escolha divina. Agostinho, desse ponto de vista, acreditava-se um eleito? Tudo indica que sim, o que não tira o valor de suas reflexões e nem de sua autobiografia nas Confissões.

      A obra em foco segue três dimensões do confesso: a confissão dos pecados, a confissão da fé e a confissão do louvor. Foi o trajeto do esquema teológico agostiniano para expor o principal, seja isso a fé cristã. É o objetivo da Patrística e Agostinho, como seu representante máximo, não poderia ficar de fora nessa meta. A sustentação da fé católica passou pelas mãos do bispo de Hipona, assegurando a ela uma forte doutrina que seguiu Idade Média adentro e até mesmo mais. Apesar das afirmações escolásticas de um outro Santo, Tomás de Aquino (1225-1274), que cristianizou Aristóteles, o primeiro não perdera seu brilho. Mais tarde, com os jansenistas, os quais foram combatidos pelos jesuítas, a doutrina da predestinação se fortalecia, pois estes seguiam a crença do bispo holandês Cornélio Jansênio (1585-1638) da graça como privilégio de poucos, idéia que floresceu e seguiu crescendo, principalmente através do Convento de Port-Royal, Paris, onde despontou um dos seus mais acirrados defensores, o filósofo Blaise Pascal (1623-1662). Porém, longe da idéia de “mal” adotada por Agostinho, os jansenistas negavam a existência do livre-arbítrio, o que, entre outras coisas, lhes acarretara a condenação como heréticos. No caso, especificamente, de Pascal, a Igreja serviu-se de seus escritos e, principalmente, contra o ceticismo filosófico, já que o filósofo vinha dessa linha, através da teoria pascaliana da aposta, pois se as chances de outra vida existir ou não são as mesmas, é preferível apostar na sua existência, assim o homem nada teria a perder e, pelo contrário, estaria garantido no caso de uma salvação eterna. Retirando a crença no livre-arbítrio, os jansenistas tiravam da Igreja Católica a responsabilidade do homem sobre o mal3, acarretando isso um outro tipo de cristianismo. Isso também balançava um dos pilares agostinianos, além da radicalização da fé na predestinação. Em verdade, os jansenistas também mexeram numa certa contradição que vinha desde o bispo de Hipona entre a teoria da graça divina e a do livre-arbítrio, ou se vai por uma ou por outra. Um dilema.

      Do ponto de vista religioso, as Confissões seriam, em primeiro lugar, um elogio à grande misericórdia de Deus e, em segundo lugar, em ato de contrição do próprio Agostinho. O mesmo deixa isso claro ao longo da obra. Ele também quer confessar sua experiência da grande força divina e exortar que todos contemplem as obras de Deus e O louvem sem cessar, porque todo espírito é sua criação. É um livro laudatório também. O autor expõe suas confidências mais íntimas e, ao mesmo tempo, endereça seus escritos a Deus, louvando-O sempre, e aos homens. O bispo de Hipona acreditava que, em sua forma de escrever, atingiria o entendimento dos homens, dispondo-os a abrir seus corações à crença da graça divina contra o desespero de uma existência errante. Esperava que o amor de Deus se manifestasse dentro dos corações de seus leitores. Nesse aspecto, pois, o livro contém um outro objetivo: o de favorecer a conversão. O filho de Mônica fizera desse seu escrito uma particular meta, seja a de que os seres humanos pudessem confessar seus erros e aceitarem a infinita misericórdia divina. Ele mostra-se, assim, como exemplo e reporta-se à sua vida de pecado e, depois, ao efeito do amor de Deus sobre si, dando provas da possibilidade da salvação mediante o poder do Criador. Se em parte da obra, Agostinho narra sua própria experiência de conversão, noutra trata das Sagradas Escrituras e interessante é o modo como expõe seu contato com a Palavra de Deus, pois se antes da conversão tinha uma “curiosidade maligna”, como dizia, a respeito da mesma, depois de conhecê-la como converso, pôs-se a difundí-la para revelar sua magnitude. Tem-se aí mais um motivo para a causa das Confissões, a saber: louvar a Deus pelas Suas próprias palavras. E, além disso, Agostinho traz o dualismo platônico para sua religiosidade ao abordar temas sobre a natureza, a memória, o tempo e a criação em geral, contrapondo corpo material e corpo espiritual, terra e céu, no sentido deste mundo e de um outro mundo, atribuindo ao espírito e ao céu a verdadeira realidade contra a falsidade, os enganos do “Mundo das Sombras”, o que lembra em muito a dualidade platônica. Entretanto, Agostinho diferencia espírito de alma, pois o primeiro parece ser apenas o elo de ligação entre o corpo e a alma, sendo esta, portanto, mais livre que o espírito. O espírito atua pela memória e a alma vai além, sendo ela que garante a imortalidade ao indivíduo como criado por Deus à sua imagem e semelhança. A alma também assegura à memória intelectual o acesso às coisas da ciência do espírito e do pensamento em geral, possibilitando ao ser humano o conhecimento sem a necessidade de acesso à memória do sensível, a qual funciona pela formação das imagens no contato com o mundo terreno. Por isso, o verdadeiro conhecimento vem de Deus, através da alma e é ele, esse conhecer, que permite ao homem um raciocínio profundo a respeito do próprio sentido de sua existência. A epistemologia agostiniana é essencialmente dedutiva, justificando a “prioridade” da razão, porém segundo a fé. E o mundo em que vivemos só tem valor no âmbito da hierofania.

      Mas, algo de forte permanece em Agostinho mesmo após sua conversão: a sua força passional. Ele comenta sobre isso e faz uma análise da paixão e como ela é capaz de adentrar à memória e confundir o espírito, desorientando a alma em seu estado puro. É por isso que o bispo de Hipona concede tanta importância à graça divina. Somente Deus pode transformar as paixões humanas em forças contemplativas contra o que o Doutor da Igreja nomeou como “tentações”4. Era de si mesmo que o Santo falava, de como seu interior fora transformado por Deus. A idéia expressa nas Confissões a respeito disso é a da entrega total ao Criador, deixando a Ele os disparates do cotidiano. É a confiança de que Deus tem o poder de dirigir a alma que lhe é cara. E o estado de graça, na concepção de tempo agostiniana, é sempre presente, pois no Criador não há passado nem futuro, porque “Ele é aquele que é”. Pela graça de Deus é que a alma reconhece sua eternidade, que advém da eternidade divina. No tempo terreno, entretanto, isso é invisível, apenas ideal, porque é o tempo da corrupção. Por todas essas questões é indispensável que o homem se preocupe com o estudo sobre o tempo e saiba perceber o que passa e o que permanece. A compreensão sobre o tempo é possível, porque ela acontece dentro do espírito entre o corpo e a alma. Em Santo Agostinho, a metafísica, como se nota, ocupa lugar central e ao homem é dado conhecer aquilo que Deus permite, assim, novamente, a teoria da graça se expõe com força total. Nas Confissões, enfim, o bispo de Hipona mostra como concilia paixão, fé e razão no seu amor à teologia. O velho e conhecido jargão agostiniano aqui se expressa mais uma vez: “compreender para crer e crer para compreender”. Dentro dessa condição, no entanto, é necessário uma outra, o da perseverança, que é um dom de Deus e, por isso, deve ser muito bem utilizada enquanto tal. Apesar de todas as reflexões feitas no sentido teológico, ainda, dentro das Confissões, vê-se mais o homem Agostinho e não o teólogo e bispo Doutor da Igreja. Por que dessa forma? Porque o filho de Mônica abria-se para todos, revelando sua sensibilidade natural e tendência ao bem humano, mesmo que em sua alma ainda persistisse lutas violentas entre a paixão humana e a graça, o que o fazia tomar muito cuidado com o seu livre-arbítrio.

      É fato que, ao ler as Confissões, ao bom leitor é possível notar o quanto o coração ardente de Agostinho continuava a pulsar. Porém, discreto, ele continuou o trabalho que começara, o de entregar-se às coisas da fé. Ele vivenciou fortemente o próprio dualismo que expressou em seus escritos e também a busca por uma conciliação, que momentos aparecia e momentos se fazia distante, fazendo-o optar pela crença no além como solução para uma alma desesperada. Não é por acaso que, ao fim de sua vida, reforça sua opção pela “Cidade de Deus” contra a “Cidade dos Homens”. 
 

 

COLUNA VOZES

 

VOZ ESPECIAL

 

Segundo Artigo

 O INÍCIO DE UMA FORTE FILOSOFIA CRISTÃ POR SANTO AGOSTINHO

Mauro Araujo de Sousa

 

      Bem, as reflexões para entender a filosofia cristã de Agostinho devem perpassar toda sua produção, porém na sua autobiografia Confissões há uma síntese dela. Mas, por que, ainda hoje, em especial tal livro se mostra tão atual? Porque narra a experiência humana e o seu conflito entre a finitude e infinitude. Agostinho deixa um rastro de esperança nesse seu escrito. As variações dos sentimentos estão fortemente presentes na obra. O que muitos buscam, afinal, é a bonança após a tempestade e parece que Confissões traz essa quietude após as tormentas pelas quais passa a alma humana e, de certo modo, o bispo de Hipona, ao falar de si, tratou de seu elo comum com o restante da humanidade. A pensar, por uma outra ótica, terminou por generalizar as condições intrínsecas a cada um. Não seria o ser humano uma “caixinha de surpresas”? Mas, enfim, o que em Agostinho se fez teoria da graça divina, e isso ele conseguiu demonstrar por sua própria conversão, deixou, a muitos, indagações para uma auto-reflexão, pois também trabalhou na esfera do livre-arbítrio, a capacidade de cada qual optar pelo que quer, mexendo com a responsabilidade individual. O que o filho de Mônica pretende é a exposição daquilo que tanto preza o Evangelho: o arrependimento dos pecados e a misericórdia de Deus, que se entrelaçam nas suas teorias da graça e do livre-arbítrio. Confiando nisso, entrega-se a Deus, como ele mesmo cita ao dirigir-se a Ele: “Só na grandeza da vossa misericórdia coloco toda a minha esperança. Dai-me o que me ordenais e ordenai-me o que quiserdes2. Isso sempre é perceptível nas diversas exaltações que o bispo hiponense faz ao Sagrado específico, reconhecendo a grandeza de Deus dentro de sua pequena existência de ser humano. É o esplendor hierofânico tomando conta de um grande sentimento religioso que o Santo expressa em seu livro, pelo qual compartilha sua vida diante do desafio do livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, o abandono à graça divina, demonstrando confiança e, dessa maneira, é que acaba por exortar seus leitores a saírem de sua pequenez de fraquezas através da força de Deus.

      Filosoficamente, se retrata a dualidade de Platão em Agostinho, porém, é claro, cristianizada, pois o contraste entre a miséria humana e a grandeza de Deus faz-se fortemente presente. Aliás, durante a Idade Média, e mesmo depois, não serão poucas as marcas dessa filosofia agostiniana na Igreja Católica. Inclusive, no surgimento de novas ordens religiosas, o embate entre, por exemplo, corpo e alma, seguem de maneira forte. Para isso, basta que se tenha acesso à hagiografia e à devida contextualização. A idéia de culpa, sem dúvida, também está implícita. Ninguém se confessa caso não se sinta culpado com relação a algo, pois é de arrependimento que se trata aqui. E o que sobra ao homem pecador confessar senão as suas fraquezas. Agostinho quer, como cristão, abrir a outros o caminho que trilhou para a conversão. No fundo, essa sua obra é um incentivo àqueles que se sentem perdidos e confusos. O filho de Mônica vem trazer o apoio da graça divina ao espírito perturbado. Quis dividir sua experiência com todos os que tivessem acesso à sua obra, do contrário não a teria escrito. Por outro lado, quis também revelar a infinita misericórdia daquele que o salvou, assim entendia a graça divina: salvadora. É o “amém”, o obrigado, de Agostinho dirigido a Deus, que lhe reconhecera nas profundezas de seu espírito e a ele desvelara os segredos mais recônditos de sua consciência. Se outro título tivesse essa obra, poderia passar por testemunho, pois que não é outra coisa senão isso. E também aí, cumpre-se o lado de apóstolo do Evangelho, em recorte paulino e, portanto, com marcas gregas e claramente platônicas. Novamente, às voltas, Agostinho e Platão, agora via São Paulo Apóstolo. Interessante é essa trilogia, já que se aproximam em forte dualismo presente na ordem cronológica Platão, Paulo e Agostinho.

      Nas Confissões, é possível fazer também uma outra leitura. Uma apologia pessoal de Agostinho, já que este tinha que enfrentar-se diretamente com seus inimigos doutrinais, os chamados “hereges”, os quais sempre lhe lançavam ao rosto sua vida desregrada da mocidade. Em tom de humildade, o Santo consegue vencer os sarcasmos de seus perseguidores, pois entrega a eles sua autobiografia e não há melhor modo de defender-se. Assim, não mais haveria motivos para que os inimigos de Agostinho encontrassem nele algo de escondido. Também, outro dado relevante, é que dessa maneira ele expunha-se a todo e qualquer questionamento sem dar aberturas às invenções que o detratariam. Foi um bom advogado de si mesmo, olhando desse aspecto. Adiantou-se ao que poderiam fazer consigo e fê-lo primeiro, seguindo mais uma vez o Evangelho, porque “convidado a dar um passo”, deu dois. Pela sua ação, calou os que tentavam caluniá-lo e assim se justifica: “Não me caluniem os soberbos, porque eu conheço bem o preço da minha redenção3. Certamente, que as tentativas continuaram, mas o bispo de Hipona, em muito, dificultara as atitudes de seus adversários. Sabia, portanto, fazer política? Sabia, do ponto de vista da condução de seus ideais em contextos diversos pelos quais passara. Ademais, não foi sem porquê que o haviam feito bispo, lembrando ainda de sua carreira como professor de retórica, uma das artes importantíssimas para alguém sobreviver politicamente, pois é a arte do bem falar, de bem saber empregar as palavras corretas na hora certa. Há que se considerar ainda as posturas que assume nas Confissões, as quais revelam quão bem sabia lidar com os problemas que lhe apareciam ora como professor de retórica, ora como filósofo em busca da verdade pelo enfrentamento dos desafios existenciais e, logicamente, como teólogo que observava a desvelamento de Deus na história humana e na sua própria. Do ponto de vista político também, teoricamente fundamentou os dogmas da Igreja Católica, que, com o pensamento deste que a Instituição fizera Santo, atravessara um longo percurso histórico. É interessante perceber que Agostinho conhecera antes de sua conversão os lados de seus adversários e enquanto, agora, converso e dedicado ao serviço de sua missão eclesiástica, podia muito bem explorá-los.

      Quanto à questão da Literatura, na obra Confissões, apresenta uma flutuação de gêneros literários e parece estar mais próximo de diálogos ao modo platônico, dissertando porém sua biografia com um profundo conhecimento bíblico. Ora narra, ora descreve... e assim segue o filho de Mônica. Trabalha também com aspectos epistolares, o que prende o leitor à sua experiência vivida. Por momentos, chega a salmodiar ao Deus que o convertera pela graça via as palavras de Paulo. Na realidade, Agostinho caminha pela Bíblia, mostrando-se grande conhecedor da mesma, sentindo-a presente em suas vivências, pois escrevia a partir de sua ótica religiosa. Duas coisas destacam-se ao percorrer esse seu escrito, porque de um lado há o temor a Deus e, de outro, a confiança na Sua infinita misericórdia. O autor sente-se mesmo como filho amparado pelo Pai e nisso encontra forças para tudo enfrentar na vida. O que fica bem nítido na leitura é a grande fé que acompanha esse Doutor da Igreja. A familiaridade com o divino fica explícita. Também é um livro em que a exortação à luta interior tem um grande foco, pois, sem esta, todas as outras nada valem. Nesse sentido, Agostinho chega a fazer drama ao contar suas experiências estando longe e perto do bem. De outra perspectiva, pode ser sua obra olhada como incentivadora no que diz respeito aos que se sentem perdidos, angustiados, cansados enquanto descrentes a vagar por mares sem ancoradouro. Sim, o bispo de Hipona também soube ser poeta ao não perder de vista os sentimentos mais profundos da alma humana. E exorta a todos a se escutarem, para encontrarem aí a voz de Deus: “Ouça, pois, vossa voz em seu interior, quem puder!”4. Apesar da forte dicotomia entre homem e Deus, salvação e danação, verdade e mentira, do que seria, em termos atuais, o secular e o profano, soube explicitar-se com muita destreza naquilo que mais acreditava, na graça divina. Sobre o Imutável que a tudo move, lança nisso uma lembrança daquele teor aristotélico do Ato Puro, do “motor imóvel”, que movimenta todas as coisas sem ser movido por ninguém. Também de Aristóteles procede essa parte: “ (Na adversidade e na prosperidade)... Entre estes dois extremos, qual será o termo médio onde a vida humana não seja tentação?”5. E, por assim dizer, nas Confissões, Agostinho não somente expõe seus variados conhecimentos filosóficos e teológicos, claro que submetendo os primeiros ao serviço da fé, como também vai revelando, aos poucos, os caminhos que percorreu para chegar a ser o que foi. Neste viés, foi bastante singular e autêntico, porque é da sua experiência que fala.

      Santo Agostinho divide sua vida em antes e depois da conversão, sendo esta o marco no qual sua grande paixão secular não deixa de pulsar, porém recebe uma iluminação pelo que o espírito e alma de um homem em busca de sentido de viver continua apaixonado. O fogo que consumia o do filho de Mônica, passou a arder de outra maneira. Na realidade, ele nunca deixou de ser um ser humano de grande envergadura passional, apenas que, após a conversão, seu “pathos”, esse impulso vital, se redirecionava. Toda sua energia se canalizava ao serviço da fé cristã, porém, tal processo, ele buscou compreender pela via da razão também. O que chama a atenção é que, nisso tudo, o dualismo de corpo e alma está em choque. O conflito dessa relação entre matéria e espírito identifica o espaço da luta humana para entender-se nessa construção. É onde faz parecer que potencialmente o Sagrado está presente no profano. Basta um toque, um acontecimento, para que tudo se esclareça. Foi assim com o bispo de Hipona. Nele, razão e sentimento se entrecruzam no caminho da fé. Muitas vezes, para expressar o que seria inexprimível, a utilização de metáforas acabou por ser a solução. Para entender Agostinho, é necessário penetrar no seu interior através dos seus escritos e, em especial, nas Confissões. É preciso ler com os olhos da vida, o que significa lê-lo com todas as experiências por que se passa numa existência, pois essa foi e continua sendo sua obra. Alguns preferem apreciar seus escritos somente pela ótica da influência platônica, o que de fato é fortíssimo nele. Porém, ir além é imprescindível, afinal não é aconselhável, em se tratando desse Doutor da Igreja, esquecer de seu forte lado místico, até porque do poético já fora comentado em seus estilo de escrever. A mística é essa união que um ser humano consegue na sua relação com o Sagrado. 

 

COLUNA VOZES

VOZ ESPECIAL

Primeiro Artigo

I N T R O D U Ç Ã O À LEITURA DE CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO 

Mauro Araujo de Sousa

“Será, talvez, pelo fato de nada do que existe

sem Vós, que todas as coisas Vos contêm? E

assim, se existo, que motivo pode haver para

Vos pedir que venhais a mim, já que não

existiria se em mim não habitásseis?” 

      Tratar de Santo Agostinho (354-430) em sua obra Confissões é abordar uma forma religiosa de pensar, uma filosofia cristã, como o próprio denominou seu trabalho. Além disso, essa obra é uma autobiografia em que o autor contrasta sua vida de pecador com a graça divina, mas o faz com preocupações filosóficas existenciais, cuidando de não esquecer do “pathos” humano que lhe era forte. Agostinho, ou mais precisamente Aurelius Augustinus, converteu-se ao cristianismo quando tinha trinta e dois anos de idade. Em seus escritos, ele leva muito em consideração a questão da graça, pois essa fora sua experiência de busca de sentido para a sua vida. Acreditou que o caminho das Sagradas Escrituras e da fé lhe foram abertos através de um chamado divino. A partir de então, o professor de retórica de Tagaste, província da Numídia, atual Argélia, estaria convertido pelas palavras do apóstolo Paulo expressas na leitura que fora conclamado a realizar por um voz que o guiava no momento da conversão. Mônica, sua mãe, certamente foi a responsável por sua mudança, pois, desde a infância do filho, muito rezava para que ele entrasse para o caminho do cristianismo. A verdade é que grandes foram as experiências do converso no campo dos estudos filosóficos, além de seu contato com a perspectiva maniqueísta de explicação religiosa antes da adentrada ao mundo cristão, o que significa que ele sempre preocupara-se com a questão do bem e do mal, por exemplo. Afora e antes de sua vida religiosa, sua existência fora também dedicada aos prazeres, principalmente ao sexual. Teve muitas amantes, porém em especial amara muito uma mulher, com quem teve um filho chamado Adeodato, o qual viera a falecer na adolescência.

      O caso é que Agostinho acabou por sustentar duas famílias, porque perdera seu pai aos vinte anos. Muito o auxiliou nisso sua cadeira de retórica em Cartago e uma dada herança, pela primeira, acabou se tornando um excelente professor e pôde levar sua experiência para outros lugares. Certamente, por durante longo tempo, ateve-se às preocupações com a mulher amada, pois sabia que teria que esperar muito para ficar com ela, pois eram de estratos sociais que não permitiam uma união pela lei. Após tanto sofrimento passional e nas questões da fé, o contato com o bispo de Milão, Ambrósio, bastante o auxiliaria e seria determinante na sua futura carreira eclesiástica. Sem a sua mãe, que morrera, e sem o seu filho e, agora, querendo estender seu amor a todos que abraçassem a causa da Igreja, dedicou-se à fundação de uma comunidade monástica. Mas, o bispo Valério de Hipona, na Argélia, tinha planos para ele e recebera o endosso dos fiéis. Agostinho tornara-se vigário e, mais tarde, seria bispo da mesma cidade, Hipona, e sucessor de Valério. Nas Confissões, ele revelou-se, pela própria experiência de vida, um ótimo conselheiro tanto para questões íntimas e psicológicas quanto para questões filosóficas e teológicas. Outras obras assumiram em suas letras o espírito de luta do bispo de Hipona para sustentar o credo cristão católico. Foram elas: De Trinitate, Contra os Acadêmicos, Solilóquios, Do Livre-Arbítrio, De Magistro, Espírito e Letra, A Cidade de Deus e as Retratações, em geral. Agostinho, de fato, conseguiu influenciar Idade Média adentro e fez parte do que os historiadores da Filosofia denominaram de Patrística, a filosofia dos padres da Igreja. Desta filosofia, originar-se-á mais tarde a escolástica, com São Tomás de Aquino como principal interlocutor. A Patrística representa a consolidação da Igreja na formulação de suas doutrinas para se opor às chamadas heresias, ao paganismo, que lhe colocavam em perigo enquanto Instituição. Na realidade, é uma apologia que sintetiza a filosofia grega clássica com a religião cristã e foi este o trabalho de Agostinho, legado que deixou à sustentação da Igreja Católica. Ele buscara a razão para fundamentar a fé e, através da fé, sustentara a religião revelada. Tal foi a Patrística, um esforço de conciliação das ditas revelações com as idéias filosóficas. Eis o objeto desse pensador cristão que balizou, com seu pensamento, boa parte do espírito medieval católico e que, mesmo em dias contemporâneos a nós, exerce uma enorme fascínio não só pela espiritualidade, mas também pelas reflexões filosóficas e pelas experiências tão próximas da humanidade mesmo em contextos tão diferentes, porque certas vivências são marcantes a ponto de extrapolarem o tempo ou de retornarem sem um fim, numa espécie de movimento cíclico, apesar de em Agostinho o tratamento ser de cunho escatológico, visando o final glorioso do cristianismo.

      “Intellige ut credas, crede ut inteligas”, é necessário compreender para crer e crer para compreender é a tradução. Do ponto de vista lógico, não deixa de ser uma tautologia, porém mostra a síntese entre fé e razão realizada pelo bispo de Hipona. Claro que, como é notável, os sentidos são relegados a um segundo plano, talvez pela superação do Santo no que tange às suas experiências corporais, por exemplo, e, sem dúvida, pela sua aproximação com o platonismo e neoplatonismo. Por outro viés, em Civitas Dei, Cidade de Deus, e no pólo dual, a dos homens, o aspecto racional se faz tão forte a ponto de antecipar o laudo cartesiano do “Penso, logo existo!”, pois assim diz o filho de Mônica: “Se eu me engano, eu sou, pois aquele que não é não pode ser enganado”. Logicamente é a execração da dúvida pela razão. Entretanto, o dualismo platônico permaneceria muito forte em seus pensamentos, afinal o ser pensante não se mesclaria com a materialidade do seu próprio corpo. Tal concepção já é conhecida através do Diálogo Alcibíades, em que Platão é enfático ao afirmar o que é o homem, ou seja, uma alma que se serve de um corpo. A matéria seria inferior à alma, superior. Portanto, eis a capacidade da alma em transcender a materialidade corporal. Além disso, as sensações corpóreas são muito volúveis e o conhecimento eterno depende do imutável, o qual se atinge pela alma. E como a alma atinge essa imutabilidade, símbolo da perfeição divina? Ela é capaz de transcender-se no contato com Deus e, nisso, dar-se-ia a revelação da verdade eterna. Por isso tudo, a alma é mais próxima de Deus que o corpo. É nítida a influência da leitura platônica absorvida por Agostinho.

      Mas, como é possível o imperfeito conhecer o Perfeito? O ser humano é uma centelha dessa perfeição e, assim, basta desenvolver-se pela fé. O restante vem pela iluminação divina, famosa doutrina criada pelo filósofo patrístico em pauta nessas reflexões. Contudo, diferentemente de Platão, a alma não sofre uma teoria da reminiscência, essa lembrança de uma vida anterior junto ao Mundo Perfeito da Idéias. Segundo Agostinho, a alma não se recorda de um passado perfeito, mas é a própria revelação divina que ilumina o presente e essa luz eterna da razão; e, provinda de Deus, é que possibilita o conhecimento das verdades eternas. Desse modo é que a inteligência humana se torna apta a atingir a virtude do conhecer de uma ordem divina. Tudo aquilo que se conhece por verdadeiro é dado por Deus. Essa é a teoria da iluminação divina, tão forte em Santo Agostinho. Mas, há que se ter um cuidado quanto a isto, porque a própria luz não é vista, entretanto ilumina as idéias, o espírito, o que já se faz diferente com relação a Platão, no qual o contato direto com a luz é possível. Uma outra forma, porém, de contemplar essa luz é observar o sol através de condições místicas. Seria estar olhando para um símbolo, cuja representação é a luz de seu Criador. Volta-se, nesse último caso, a algumas elaborações platônicas, com a diferença de o contato ser indireto em Agostinho. Interessante, todavia, é notar que em termos de sentir Deus dentro si, possibilita um estreitamento entre o humano e Deus, como está na citação em destaque ao início deste escrito. Em todo caso, é forte, pois, a influência das leituras que o bispo de Hipona realizou acerca desse clássico grego, mesmo em sua versão latina, já que ficara privado do domínio em bom grau da língua grega, pois se recusava a aprender a língua grega desde a infância. Tivera acesso aos gregos através de traduções latinas, apesar do seu esforço, quando adulto, para aprender as letras originais de Platão. Isso, contudo, não impossibilitou sua empreita, mas dificultou-a um pouco.

      O que seria a alma, na verdade? Um receptáculo da luz divina e, ao mesmo tempo, a abertura do ser humano para Deus, pois a experiência da eternidade acontece nela. Dessa forma, Agostinho internaliza o divino no humano e dá-se a hierofania, essa manifestação do Sagrado. É pela mística que dá-se a união do homem com Deus e, além disso, todo conhecimento de valores, artísticos ou de criação e os científicos emanariam de Deus também. É a presença do Inefável no ser humano e de maneira sempre plena, afinal trata-se da definição de Deus como “Aquele que é”. Assim, se caracteriza a essência e o sentido da vida humana e de tudo que a envolve, menos o pecado. Pois, se o divino é uno, segundo influência de Plotino em Agostinho, não carrega o mal. Também o bispo de Hipona se afastara do maniqueísmo ao entender o mal não como outro ser poderoso. O mal passa a ser a privação do bem. O mal está fora da idéia de ser, está como não-ser e, dessa forma, não compete com o bem como no maniqueísmo. O filho de Mônica supera, em tal ponto, o aspecto que os maniqueus imprimiram em sua formação anterior à sua dedicação ao cristianismo. Só existe, pois, um princípio poderoso: Deus, e o monoteísmo fica justificado. Deus é o único ser supremo e, também, infinitamente bom pela sua misericórdia. É o Agostinho cristão embasando as doutrinas da fé católica.

      Quem seria responsável pelo pecado? Como pode o ser humano pecar, se ele recebe a luz divina? É que ele precisa estar aberto a ela, isto é, Santo Agostinho justifica aqui a teoria do livre-arbítrio. Na antropologia agostiniana, o homem está condenado e somente é salvo pela graça divina. Deus criou o homem livre e dotado de vontade, portanto, quando este se afasta do ser e caminha para o não-ser, aproxima-se do mal e comete os pecados. O próprio ser humano é responsável pelos seus pecados. Pelo pecado, o homem transgride a lei divina, pois feito para ater-se mais à alma, prende-se ao corpo, à matéria, caindo na ignorância e invertendo os valores da existência. Então, como tratar de salvação para quem, por livre escolha, opta por afastar-se do Ser? Como dito, o afastamento dá-se por ignorância, mas Deus, em sua infinita bondade, concede a graça da salvação. É a predestinação agostiniana, pois o Santo baseara-se em sua própria experiência do chamado divino para sua conversão. O poder de salvar não é do homem, é de Deus. Ele é quem salva. A tarefa do homem é abrir-se a Deus. É a graça divina que dirige o ser humano a fazer bom uso do seu livre-arbítrio. Porém, na teoria agostiniana, a salvação não é para todos, há os eleitos. Nisso, Agostinho combateu a tese do monge Pelágio, que enfatizava a salvação pelo livre-arbítrio, dando força ao homem. Porém, o bispo de Hipona elege sua vivência da própria conversão para elencar os motivos da insuficiência humana na questão da salvação. A graça e a liberdade não devem excluir-se, mas completarem-se, pois são, a segunda, um dom, e a primeira, um privilégio divino. A realidade, contudo, mostra que o dualismo platônico se fez presente mais uma vez em Agostinho e ele não conseguiu conciliar a Cidade de Deus com a dos homens. Assim também, de um lado, foi inevitável a concorrência dos seres humanos em condenados e eleitos e essa polêmica atravessaria a Idade Média e adentraria à Moderna. Apesar de todos os seus esforços contra o maniqueísmo, encontrara em Platão a dualidade da qual não conseguiria separar-se.

COLUNA VOZES

VOZ DO ALUNO

O ser aluno

André Lima 

 

 

 

 

Há muitos anos que permanece aberta a caça de alunos pelas universidades deste País. A disputa é acirrada para conquistar o cliente. O marketing é cada vez mais agressivo, as promoções mais atraentes, os brindes mais criativos e as facilidades de ingresso convidativas. O aluno é concorrido não por ser escasso, mas por ser monetariamente valioso. 

Devido a esse mercado educacional selvagem o aluno foi esvaziado de seu significado e passou a se prestar aos interesses econômicos de instituições cuja principal razão de existir deu lugar ao objetivo capitalista – o lucro. Com raras exceções, as universidades estão se vitrinizando para se tornarem atraentes aos olhos do consumidor-aluno sem se importarem com a excelência de seu conteúdo ético-científico que promoverão de fato a formação de cidadãos, profissionais e pesquisadores que contribuirão para construção de uma sociedade melhor. 

O aluno é um ser e como ser aluno precisa ser respeitado para que seja como aluno que é um ser. As academias precisam devolver essa categoria de ser ao aluno para que este abandone o que não é. Nenhum aluno conseguirá se configurar novamente se o seu espaço superior de reflexão e apreensão não corroborar para essa tarefa. 

O ser aluno não é cifrão, definitivamente, não. Tornaram-no assim, e assim ele está. Mas, é uma distorção de sua natureza e identidade. Assim sendo, o aluno trafega pelos corredores da universidade e estaciona na sala de aula agindo na maioria das vezes como consumidor num shopping com poder de compra, confundindo o conhecimento com um produto, o professor com um vendedor, e a faculdade com uma loja. Sim, lamentavelmente perdeu-se a noção de ser aluno. Perdido esse conceito perdido também a razão básica de estar na academia, aí, surge o subversivo ou o rebelde sem causa que reivindica da direção, agride o professor, reclama da infra-estrutura, deprecia o patrimônio, e já não mais se importa com a absorção do conhecimento. A freqüência só se justifica pelo canudo no final do curso. Tiraram o ser do aluno e ele se acostumou a ser um aluno que não é. 

Existe a necessidade premente de resgatar o significado do ser aluno pelo rompimento desse comportamento equivocado que não tem nenhuma associação com a natureza de ser aluno. Este é, sem dúvida, nobre como pessoa, transformador como agente de hoje e esperança de promoção para o futuro. Está na hora de cessar esse estado horroroso de relacionamento puramente utilitarista. Há de se ter um esforço bilateral para sanar essa crise. De um lado as universidades revendo sua postura e sua maneira de enxergar o aluno; de outro, o aluno em busca de si mesmo para reencontrar o ser aluno. 

 

 

 

COLUNA - VOZES

EDITORES:

 

Nós, o Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia - CA ÁGORA, da Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, convidamos a todos, os alunos e indenpendente do curso em formação, as pessoas de Espirito Livre, a participarem ativamente nesse blog (www.filosofia.agoraunicastelo.zip.net), pois o nosso intuito ao institui-lo é que esse blog seja mais uma ferramenta a ser utilizada como meio de expressão, e as  VOZES para mostrar, apontar, acusar, reagir, comunicar, analisar, ensinar, educar, compartilhar  e a refletir filosoficamente os mais diversos temas.  Assim, aguardamos sua colaboração e contribuição a esse blog, sendo que,  é seu e todos (uno e multiplo).  

E ainda, nessa data (03/04/2009), inaugura a Publicação de Artigos nas COLUNAS VOZES: a do "VOZ DO ALUNO", aberta a todos os alunos; e outra "VOZ - ESPECIAL" aberta a todos que para nos são especiais.

E esclarecemos aos interessados em publicação que nos procure ou contate-nos via e-mail.

Entretanto, ainda no preâmbulo, queremos ressaltar a delicadeza e atenção dos nossos participantes nessa Primeira Edição das "COLUNAS VOZES" - ALUNO e ESPECIAL, que a toque de caixa nos atenderam na confecção dos artigos para a nossa primeira publicação.

Dessa forma, dando enfâse a PUBLICAÇÃO no blog, temos as "COLUNAS VOZES", que  iniciará na COLUNA: "VOZ DO ALUNO',  a publicação de autoria do aluno,  André Lima, Filosofia, 1o. semestre, 2009, com título "O Ser Aluno", onde aborda os papeís das Universidades em relação aos alunos e sua contextualização.

E na COLUNA: "VOZ ESPECIAL", o Doutor e Professor Mauro Araujo Araujo de Sousa, nietzschiano, de sua autoria, em três artigos filosóficos de Santo Agostinho; o primeiro artigo com título " Introdução à Leitura de CONFISSÕES de Santo Agostinho"; o segundo artigo o com titulo "O Início de Uma Forte Filosofia Cristã por Santo Agostinho", e o terceiro artigo com titulo  "As Bases Detalhadas da Filosofia Agostiniana em CONFISSÕES",  o professor aborda a filosofia de Santo Agostinho, consequentemente faz  interpretações filosóficas.

 
 

A ESCOLA REFLETE NO CINEMA

http://filosofia.agoraunicastelo.zip.net

Data: 25/04/2009 - Hora: 14 h

Local: Rua Carolina Fonseca, 235 - São Paulo - 1o. Andar - sala 112

3a.Exibição de Filme Educativo

 

A ESCOLA REFLETE NO CINEMA

 

 

Convidamos a todos a participar no próximo dia 25 de ABRIL de 2009, às 14 h., sábado, na sala 112, a exibição de um documentário sobre tema 'a vida caipira", que contará com a orientação do Prof. Antonio Primo (História), e coordenação do Prof. Dr. Carlos Betlinsk (Filosofia), portanto, a 3a. Sessão do Projeto "Escola Reflete no Cinema", apoio da Universidade Camilo Castelo Branco - UNICASTELO, e realização Centro Acadêmico dos Alunos de Filosofia.

O projeto visa ao diálogo e reflexão sobre os tópicos do filme exibido.E esclarecemos que é gratuito,  e não é necessário inscrição. Prestígie.

 

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